Sociedade cricri

Sociedade cricri

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Volta pro mar, baleia! 

Gorducha, vê se emagreça.

Coitada, nunca vai arranjar namorado!

Desse jeito pede pra sofrer bullying.

Larga esse hambúrguer, coma uma salada!

Faça exercícios, perca essa barriga. 

Verão está chegando, não vai querer ir à praia?

Joana não sabia o porquê de tanta amargura no coração dessas pessoas, mas sabia que queriam que ela fosse magra, não saudável e feliz. 

Se encaixar no padrão da sociedade é um saco! 

E por falar em saco… tem um de doces no seu armário.

– Paula Mendonça

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Identificações diferentes, humanamente iguais.

Identificações diferentes, humanamente iguais.

Há séculos a humanidade vem pregando superioridade seja para gêneros, “raças”, sexualidade, religiosidade, entre outros. Com isso, a sociedade ganhou certo comodismo, visto que beneficia a grande maioria.
Atualmente, igualdade está sendo um tema muito repercutido, sendo enfatizado na mídia, principalmente em redes sociais. A igualdade de gênero, por exemplo, é um assunto de extrema importância e que está sendo muito comentado.
As mulheres (e quem as apóia) finalmente soltaram a voz e decidiram enfrentar o preconceito predominante que a sociedade exerce. Juntas, lutam com unhas e dentes afirmando que devem, sim, ter os mesmos direitos que um homem. Seja socialmente ou economicamente, elas exigem que sejam tratadas de maneira igualitária.
Socialmente, são arrasadas, humilhadas e isso vai muito além de comentários e piadas machistas ou estereótipos. “A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada.”, diz o jornal G1. E, com uma pesquisa feita pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2014, aproximadamente 24% dos estupros são causados por pais ou padrastos das vítimas. Entretanto, a desigualdade que há, a mesma ocasiona o machismo, faz com que uma boa parte de pessoas culpe a vítima. Esses indivíduos, porém, não podem ser acusados por terem pensamentos misóginos, uma vez que cresceram em uma sociedade patriarcal.
O corpo da mulher sempre foi visto como objeto sexual. A mídia é uma grande culpada disso. Temos como exemplo comerciais de cerveja (produto feito principalmente para satisfazer o sexo masculino), onde aparecem mulheres seminuas servindo homens, que as tratam tais como suas cervejas. São coisas como essas que faz a população duvidar da vítima e espalhar o machismo.
Também pode-se citar como forma de discriminação à mulher, os homens que são incrivelmente bem pagos por jogarem futebol, e mesmo se perderem o jogo, continuam com salários altos. As mulheres, porém, recebem menos da metade desse salário e não são pagas se perderem.
Como as mulheres são tidas como inferiores, são raras as oportunidades para um cargo alto em uma empresa, visto que “provavelmente não poderá administrar bem, já que é uma mulher.”
Ao falar sobre as mulheres e seus direitos, é válido lembrar que assim como as cisgêneros, as trangêneros e transsexuais também merecem reconhecimento e, principalmente, respeito.
Deve-se levar em consideração o fato de que não existem apenas os gêneros masculino e feminino, e os demais também fazem parte dessa luta pela igualdade. Os LGBTQ+ estão conquistando cada vez mais a visibilidade que merecem, todavia ainda há muito para fazer até que consigam seus direitos. Algo mínimo, mas muito importante que pode ser revisado, são os formulários onde aparecem as opções “masculino e feminino”, deixando de fora os não-binários, gêneros fluídos e outros.
Outro problema que pode ser citado, é a diferença entre a mulher branca e a mulher negra, a mulher rica e a mulher pobre. A mulher rica e branca, apesar de sofrer igualmente pelo machismo, tem muito mais privilégios que a mulher negra e pobre. A mulher negra e pobre, além de sofrer com o machismo, também sofre racismo, o que impossibilita tantas oportunidades. Há como modelo, o aborto ilegal. A mulher rica possui uma melhor condição para um procedimento bom e sem danos. Já a mulher pobre, procura procedimentos clandestinos, com grandes chances de mortes. Por esse motivo, a legalização do aborto é tão importante.
A luta pela igualdade de gênero é muito mais que um protesto apenas para as mulheres; é muito mais que um protesto contra todos os que dizem que lugar de mulher é na cozinha; é muito mais que um protesto a favor do uso de shorts em escolas. Essa luta é sobre igualdade e direito de todos os seres humanos, sem exceções. É uma luta para a liberdade de escolha, a liberdade do corpo, a liberdade da mente. Essa luta não é apenas das mulheres.
A solução para uma sociedade igualitária e escassa de preconceito é a educação. Tanto em casa quanto em escolas, é um assunto que deve estar sempre sendo cobrado e ensinado. Educando as crianças e conscientizando os adultos, quem sabe, poderá enfim, ser uma sociedade mais tolerante com todos.

Gabriela R. Fernandes.